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POR VINICIUS TERROR

Tomando como foco a cidade de Ouro Preto – MG, o fotógrafo Vinicius Terror, através do projeto fotográfico “A Cidade e o Tempo” destaca a importância da fotografia como registro das transformações na paisagem urbana e na vida da cidade desde o final do século XIX.

A partir da sobreposição das releituras atuais de fotos antigas, tomando os mesmos ângulos e pontos de vista, o projeto propõe um interessante exercício de análise dessas transformações, sempre auxiliado pelas informações e curiosidades apresentadas nas legendas, com textos de autoria do Historiador Bernardo Andrade.

Vamos viajar pela história ilustrada de Ouro Preto?

Trecho da Rua Antônio de Albuquerque, antiga Rua da Glória. Na fotografia antiga, datada dos anos 1930 e de autoria do fotógrafo Luiz Fontana, a rua apresenta seu calçamento original, com capistrana e pés-de-moleque. Os imóveis semiarruinados à direita refletem a decadência que se seguiu à mudança da capital para BH, em 1897, e que se manteve durante a primeira metade do século XX. A recuperação da cidade a partir dos anos 1960, com a industrialização, o desenvolvimento da UFOP e o turismo, entre outros, contribuirá para o surgimento de novas construções no centro e restauração do casario antigo, como podemos apreciar na releitura da foto atual.

 

Trecho no alto da Rua Alvarenga, mostrando ao fundo o antigo casarão que pertenceu ao poeta Bernardo Guimarães (atual FAOP). À esquerda vemos um dos cinco chalés projetados por Henrique Dumont em Ouro Preto e à direita temos o curioso Chafariz da Coluna, com seu formato peculiar. As diferenças entre a fotografia antiga (datada dos anos 1930 e obra do fotógrafo Luiz Fontana) e a atual ficam por conta do calçamento em capistrana e pé-de-moleque (retirado nos anos 1960), dos postes e fios de luz, das novas construções e recuperação das antigas.

 

Outro trecho da Rua Alvarenga, dessa vez mostrando a região próxima à Igreja Bom Jesus de Matozinhos e o Colégio Arquidiocesano (erguido em 1934). Analisando a foto antiga (Luiz Fontana, 1933) e a atual, é possível perceber como a paisagem sofreu poucas alterações no intervalo entre as fotografias. Os chalés gêmeos à esquerda permanecem iguais, assim como o cruzeiro e o Bonserá do século XVIII à direita. Bonserá era o conjunto de casas geminadas onde moravam várias famílias. O termo nasceu da expressão “Bom será se não brigarem”.

 

Esquina da Rua Direita com a Praça Tiradentes. Consta que esse imóvel, construído ainda na primeira metade do século XVIII, abrigou a Câmara Municipal antes da construção da Casa de Câmara e Cadeia (atual Museu da Inconfidência). O casarão assobradado passou por poucas alterações ao longo dos anos, como é possível perceber ao se analisar as duas fotos aqui mostradas, uma dos anos 1940 (Luiz Fontana) e outra atual (2020)

 

Panorama visto a partir do adro da Igreja São Francisco de Assis mostrando o Pico do Itacolomi ao fundo, a Igreja das Mercês de Baixo à direita, a casa da República Consulado ao centro e a Capela das Dores à esquerda. As diferenças que podem ser notadas entre a foto antiga (Luiz Fontana, anos 1940) e a atual são a ocupação acima da Capela das Dores, que atualmente forma o Bairro Alto das Dores, o poste de luz ao centro (substituído por lampiões elétricos nos anos 1980) e o brasão da República Consulado entre as janelas do mirante da casa.

 

Panorama do Largo do Coimbra, mostrando em destaque a Igreja São Francisco de Assis, obra prima de Aleijadinho e Mestre Ataíde. A fotografia antiga, de autoria de Marc Ferrez e datada dos anos 1870, mostra à esquerda o antigo mercado municipal, com seus tropeiros e tropas, além de uma fonte central. Na década seguinte esse mercado foi substituído por uma construção em alvenaria, de estilo neoclássico, passando a servir ao Mercado e Açougue Municipal. Nos anos 1940, esse mercado neoclássico foi demolido pelo IPHAN e o espaço ficou vago por muitos anos. Apenas nos anos 1980 seria instalada ali a Feirinha de Pedra Sabão, como aparece na fotografia atual (2019). A fonte de água desapareceu ainda no século XIX e o arruamento também foi mudado nessa época.

 

Panorama tomado a partir do mirante das Lajes mostrando a região do Antônio Dias e da Barra, com destaque para a Matriz da Conceição e a Igreja das Mercês de Baixo à direita. As duas fotografias acima, sendo a antiga datada dos anos 1940 (Luiz Fontana) e a atual, retratam as grandes transformações ocorridas nesse panorama a partir da segunda metade do século XX, especialmente em função do aumento considerável na densidade das construções, fruto da retomada do crescimento da cidade a partir dos anos 1960. A Vila Aparecida, que domina a encosta no centro da imagem atual, começou a ser erguida no final dos anos 1970 e hoje se liga aos campus do IFMG, antiga ETFOP (1944), e da UFOP, no Morro do Cruzeiro.

 

Trecho da Ladeira de Santa Efigênia. Formada ainda nos anos iniciais de Ouro Preto, essa ladeira apresenta várias construções históricas, além de belos panoramas do centro, mostrando as Igrejas Mercês de Baixo, São Francisco de Assis e Carmo, além da antiga Casa de Câmara e Cadeia (atual Museu da Inconfidência). Como pode ser visto na comparação entre as fotografias antiga (Luiz Fontana, anos 1930) e atual, a rua e seu casario passaram por diversas transformações nesse meio tempo. O calçamento com capistrana e pé-de-moleque foi substituído pelo atual nos anos 1960, novas construções foram erguidas nos antigos lotes vagos e muitas casas foram restauradas. Os postes de luz e as fiações tiram um pouco da beleza do panorama atualmente.

 

Aspecto da Ponte dos Contos. Construída em 1744, essa ponte originalmente tinha os guarda-corpos de pedra lavrada, substituídos em 1896 pelos belos gradis de ferro fundido que aparecem na foto antiga aqui apresentada, de autoria do fotógrafo Luiz Fontana nos anos 1920. Após a elevação da cidade a Monumento Nacional em 1933, no ano seguinte a Inspetoria de Monumentos Nacionais promoveu diversas intervenções em Ouro Preto, entre elas a retirada do gradio e reconstrução do beiral em pedra , com banco e cruzeiro, na Ponte dos Contos, como aparece na imagem atual. Outra mudança entre as duas fotos é o painel de azulejos com propagandas que aparece na imagem antiga à esquerda, onde hoje existe um comércio.

 

Visada oposta à mostrada nas fotos anteriores da Ponte dos Contos. Aqui vemos novamente uma comparação entre uma foto mostrando a ponte ainda com os gradis (Luiz Fontana, anos 1920) e outra atual, com o beiral, banco e cruzeiro de pedra. Uma curiosidade é que a reconstrução do beiral em 1934 utilizou as mesmas técnicas e materiais usados na construção original da ponte, em meados do século XVIII. Dois imóveis importantes na história de Ouro Preto aparecem na imagem, a Casa do Real Contrato, no centro, e a Casa dos Contos, uma porta à direita.

 

Aspectos da Ponte do Antônio Dias, também conhecida como “de Marília” ou “dos Suspiros”. Essa é uma das pontes mais famosas de Ouro Preto e foi construída entre 1745 e 1757, por Manuel Francisco Lisboa. Nas fotos aparecem também o Colégio Marília de Dirceu, ao centro, construído em 1927 sobre as ruínas da antiga casa de Marília, e a Capela das Dores, à direita. Comparando as duas fotos notam-se algumas mudanças importantes além do crescimento da vegetação. Na imagem antiga, datada dos anos 1930 e feita por Luiz Fontana, a serra do Alto da Cruz ainda não possuía quase nenhuma casa, enquanto que na imagem atual já vemos ali parte Bairro Santa Cruz, que começou nos anos 1990.

 

Praça Tiradentes. Nessas duas fotografias é possível perceber as grandes transformações pelas quais a praça central de Ouro Preto passou desde a segunda metade do século XIX. A foto antiga, tirada por Guilherme Libeniau em 1881, mostra a praça com seu novo paisagismo, construído nesse época com o intuito de modernizar a cidade e embelezar a Coluna Saldanha Marinho, que aparece ao centro, primeiro monumento em homenagem aos inconfidentes, erguido em 1867. O paisagismo foi demolido no início dos anos 1890 e a Coluna deu lugar à Estátua do Tiradentes, inaugurada em 21 de abril de 1894, assim como mostrado na foto atual. Outras transformações que merecem destaque entre as fotos são a inclusão dos anexos à direta da Escola de Minas (antigo Palácio dos Governadores) e a substituição do antigo prédio do Fórum à direita (com suas arcadas e que foi incendiado em 1949) pelo do atual CAEM.

 

Panorama oposto ao das fotos anteriores da Praça Tiradentes, mostrando a antiga Casa de Câmara e Cadeia, atual Museu da Inconfidência. As fotos foram tiradas a partir dos jardins do antigo Palácio dos Governadores, hoje Escola de Minas, mostrando uma de suas guaritas. As maiores diferenças entre a fotografia antiga, provavelmente dos anos 1940, e a atual, são o calçamento, os postes de luz, as árvores no Morro do Cruzeiro e a ocupação da Vila Aparecida nos fundos, à esquerda, atrás do Museu, que começou no final dos anos 1970.

 

Visada da Rua do Pilar. Antiga rua “dos Vigários” e “dos Caldeireiros”, essa ladeira remonta aos primeiros anos de Vila Rica e fazia parte da primitiva Rua Direita, que ligava o Pilar à Praça Tiradentes. A paisagem mantém grande parte de sua originalidade, sendo que as únicas diferenças entre a fotografia antiga (Luiz Fontana, anos 1940) e a atual são o calçamento, que perdeu os pés-de-moleque e a capistrana, os postes de luz antigos e as árvores que cresceram na parte de cima.

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